O Último Capítulo

O ÚLTIMO CAPÍTULO

(extraído do livro NMV 01)

“Passai, passai pelas portas, preparai o caminho ao povo. Abri, abri a estrada, retirai dela as pedras! Eis, que vem teu salvador; eis com ele o preço de sua vitória. Ele faz-se preceder dos frutos de sua conquista. Tu, cidade não mais desamparada, serás chamada a Desejada” (Is 62,10-12).

As personagens bíblicas nos deram inúmeros exemplos de garra, determinação, coragem e disposição para mudar uma situação conflitante. Sempre atentas coo que ocorria a seu redor, suas atitudes são modelos preciosos que permaneceram através dos tempos. Imaginá-las tão ativas em épocas tão distantes, nos faz refletir: por que durante milênios permaneceram caladas, abafadas, submetidas a vontade e imposição masculina? Registrou-se um longo período de silencio feminino, somente de tempos em tempos alguma personalidade se destacava, como Teresa de Ávila, por volta dos anos 1600;

Até o início do século passado, a mulher era tida como inferior ao homem, sendo sua única função dedicar-se ao lar e a família.

O nível de escolaridade da maioria das mulheres era o primário, ginásio e quando muito o colegial, poucas faiam uma faculdade. A vida isolada nas fazendas, a urbanização tardia, o cerceamento politico impediram o desenvolvimento de relações associativas. Somente a partir de 1931 é que as brasileiras começavam a ter um acesso ao ensino médio e superior, fruto da brava luta de um grupo de mulheres da elite brasileira, na sua maioria profissionais liberais.

As mulheres nunca tiveram uma participação na politica, na economia e no esporte, esses assuntos eram exclusivos para os homens. Era excluída também do mercado de trabalho.

Foram inúmeras as rebeliões e lutas para serem reconhecidas, respeitada e terem seu espaço na sociedade, realizar seus sonhos, colocar em práticas seus ideais. Podemos citar um trecho de uma dessas reivindicações feita por Abigail Adams, escrita em 31 de março de 1776, dirigida a seu marido John Adams, constituinte norte-americano e presidente dos Estados Unidos que dizia; “no novo código de leis que vós estais redigindo, desejo que vos lembreis das mulheres e sejais mais generoso e favoráveis com elas do que foram vossos antepassados. Se não for dada a devida atenção às mulheres, estamos decididas a fomentar uma rebelião, e não nos sentirmos obrigadas a cumprir leis para as quais não tivemos nem voz nem representação”. Mais de duzentos anos depois as palavras de Abigail Adams são tão atuais e nos chama a atenção.

No Brasil desde 1850 havia organizações de mulheres que lutavam pelo direito ao voto, mas somente em 1932, no governo de Getúlio Vargas é que foi promulgado o novo Código Eleitoral pelo decreto 21.076, garantido finalmente o direito de voto das mulheres brasileiras. A primeira mulher eleita deputada foi a paulista Carlota Pereira Queiroz, em 1933. A concorrente eleita pelo Distrito Federal, no Rio de Janeiro, como suplente foi Berta Lutz.

A partir dessa década destaca-se a luta pela libertação econômica e afetiva, dá-se início ao planejamento familiar sendo que a sexualidade feminina, até então, era tabu.

Em 1975 os movimentos feministas alcançam uma nova conquista junto a ONU – a instituição do Ano Internacional da Mulher. No Brasil, a Ano Internacional da Mulher foi um importante marco no ressurgimento do feminismo, propiciando às mulheres brasileiras um espaço de discussão e organização. No rio de Janeiro, um grupo de intelectuais, estudantes universitárias e donas-de-casa articularam essas comemorações com a fundação do centro da Mulher Brasileira, primeira organização do feminismo. Logo a seguir, outro grupo de mulheres em São Paulo forma o centro de Desenvolvimento da Mulher Brasileira.

Nas últimas décadas o crescimento feminino tem sido bastante significativo no meio profissional, conquistando seu espaço nas Universidades e mercado de trabalho.

Na década de 80, ainda foram poucas as que iniciaram o caminho da conquista financeira, poucas que conseguiram galgar seus espaços e salários, segundo pesquisa das Nações Unidas realizadas em 1998.

Mais amadurecidas, na década de 90, a mulher passa a contribuir na complementação da renda familiar, ocupando funções antes reservadas aos homens.

Um trabalho de dupla jornada, pois as responsabilidades domésticas se mantiveram sob seus cuidados. É admirável a determinação feminina, ela se reorganiza conciliando família e profissão.

Muito já foi conquistado, mas sabemos que há muito ainda por lutar e realizar, porém não contra, mas ao lado do homem, dividindo funções e responsabilidades, complementando-se um ao outro.

Nós Mulheres, escrito por mulheres de idades, profissões e experiências diferenciadas demonstrou a potencialidade que há em cada mulher, enfocou que os obstáculos e barreiras podem ser vencidos. Bata ouvir sua voz interior e por mais que outras vozes externas ecoem ao seu redor, deixe prevalecer a voz que vem do coração, da sensibilidade de discernimento.

Percorrendo cada capítulo, pudemos notar que é preciso estar atenta e lutar por nossos objetivos, com perseverança e fé, sem nunca perder a esperança de alcançar a vitória. Olhar a frente, estipular as metas e com os atributos tão peculiares que possuímos, ir ao combate, pequeno ou grande, não importa, o importante é a conquista.

Reunir trinta e três mulheres, escolher os temas atuais foi, para mim, uma experiência maravilhosa e edificante. Acompanhar o desenvolvimento de cada capitulo ver o “nascimento” dessa obra fez parte de um objetivo maior: levar nossas experiências vividas a muitas outras mulheres, encorajando-as e alertando-as.

Em todos os caminhos percorridos, da antiguidade até os dias de hoje, pudemos constatar que todas essas mudanças não tiraram a beleza e a sensibilidade da mulher.

Mulher, seja feliz em sua plenitude feminina!

Silvia Bruno Securato

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